Hospitalidade no mundo das celebridades

Algumas semanas atrás, recebi um convite para assistir ao show da cantora Ana Carolina no Credicard Hall.  Gosto da sua voz e música, mas tive algumas surpresas nessa minha  experiência com celebridades do mundo musical.

Não sei se atualmente é comum no mundo dos shows a pretensão de alguns famosos acharem que atrasar algum tempo para começar um show é bom.  Talvez pensem que dá mais glamour, ele(a ) se sentem mais importantes e o fato de  ser pontual é coisa de careta.

Para minha grande surpresa, o espetáculo deveria começar as 22h00, mas foi começar era quase 23h00, isto porque a platéia começou a assobiar e bater palmas…já cansada da demora.

Minha paciência também já estava se esgotando, mas o que mais me tocou foi a falta de respeito e consideração por pessoas que pagaram por um ingresso nada barato, que, talvez, vieram de outro lado da escola, nesse trânsito infernal que domina as grandes cidades e que estavam felizes por estarem aí para ver alguém especial e que não estava preocupada em agradar a este público.

Até pensei que atrasos podem acontecer e com as facilidades atuais no mundo das comunicações, basta uma ligação para posicionar quem espera …mas nada.  O show começou e nenhuma explicação!

Tentei me envolver com o clima local, com o som, mas minha cabeça não parava de pensar em outra coisa que não fosse a postura do artista.

As pessoas tentam dar justificativas para si mesmas e para os outros que tudo isto é normal, que faz parte, que não sou muito tolerante, mas eu discordo totalmente.  Temos que ser coerentes com a realidade da vida. 

Queremos que nos respeitem, queremos que confiem em nós, queremos que nos tratem bem, queremos ser considerados únicos e especiais nesta vida, mas tudo isto, mediante que postura para com o outro?   Deste quando a arrogância, a prepotência é um diferencial competitivo para alguém?  Deste quando ser humilde e educado, preocupado com o outro é coisa de gente fraca ou careta?  Deste quando ser gentil com alguém, sorridente com o outro, mesmo que estranho está ultrapassado?

Um artista, independente de onde sua habilidade se sobressaia, tem que ser exemplo de postura, maneiras, falas, escritas para os fãs que o acompanham ou idolatram.  Isto não significa que tem que ser perfeito…longe disto.    Eu quero dizer coerência na ação, que cria um modelo que muitos perseguem para se tornarem parecidos ou quase que iguais.

É muita responsabilidade com a vida dos outros, com a nossa vida, com o que podemos levar para o outro e se tornar realidade.  Depois dizem que o mundo está perdido…e eu concordo quando vejo atitudes que vem a denegrir um mito, um ídolo que admiramos e quando nos aproximamos, ficamos surpresos com o que vemos.

 Posso dizer que a admiração e prazer que tinha em ouvi-la já não são mais os mesmos, até porque a minha noção de realidade e exemplo é bem outra, pode ser até carta, mas é nela que eu acredito.

            Beatriz Cullen- beatriz@cullencia.com.br                                      Novembro/2009

Did you enjoy this post? Why not leave a comment below and continue the conversation, or subscribe to my feed and get articles like this delivered automatically to your feed reader.

Comments

Olá Beatriz!

Como vai vc? Nós fizemos um curso juntas no Senac.

Eu concordo plenamente com o que vc disse.Ah, e parabéns pelo Blog,está um arraso.

Bjo Grande,

Geanila Alencar.

Nossa Bia, agora vc tocou num ótimo ponto. Acho que as pessoas se acostumaram com os atrasos e nem se importam mais, e quem sofre somos nós, que queremos tudo “certinho”. Por isso eu até me surpreendi, da melhor forma possível, com o espetáculo do Pedro Cardoso (Os Ignorantes), ele começou exatamente no horário combinado, nem um minuto a mais e explicou logo de cara “eu nunca atraso”. Ele me conquistou desde o início, sem contar que o espetáculo é ótimo. Achei respeitoso e totalmente diferente dos outros teatros, principalmente infantis, que costumo ir. Podia ser regra não?
beijo grandão
tici

Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)